A precisão dos equipamentos utilizados desde a coleta até a distribuição garante o processamento seguro do sangue obtido em doações na Fundação Hospitalar de Hemoterapia e Hematologia do Amazonas (Hemoam). Para garantir a qualidade do sangue processado, as máquinas e equipamentos laboratoriais devem estar em perfeito alinhamento e corretamente calibrados. Desde 2006, esses testes são feitos por técnicos da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi). Vidrarias, centrífugas de separação de hemocomponentes, balanças e demais equipamentos do chamado “Ciclo do Sangue” são validados semestralmente.
O cuidado é uma exigência do Ministério da Saúde somada à preocupação constante da equipe técnica do hemocentro amazonense, que também responde às auditorias de manutenção da certificação ISO 9001. “Trabalhamos há seis anos com o Hemoam. Nosso papel é garantir que os equipamentos auditados estejam em conformidade com as normas”, explica o assessor da Coordenação do Centro Geral de Serviços Tecnológicos da Fucapi, José Zanirato.
A verificação de conformidade dos equipamentos é estabelecida em normas e exigências nacionais, obedecidas por todos os hemocentros do país. Na região Norte, a Fucapi é uma das empresas capacitadas e autorizadas para prestação desse serviço. As normas de hemoterapia são uma orientação do Governo Federal, por Meio do Ministério da Saúde, para garantir um padrão de segurança e qualidade no processamento do sangue em todo o país. “Temos muito orgulho de fazer parte desse processo que salva vidas”, destaca Zanirato.
O Centro Geral de Serviços Tecnológicos da Fucapi possui laboratório com o sistema de gestão aprovado pelaCoordenação Geral de Acreditação do Inmetro (Cgcre/Inmetro), com técnicos preparados para executar testes direcionados aos equipamentos de processamento de sangue, o que envolve diversas grandezas, como temperatura, massa, velocidade, tempo e frequência. “O processo de calibração dos equipamentos identifica seu grau de qualidade em relação às especificações técnicas do processo, identificando os valores reais e comparando com os padrões estabelecidos em norma”, explica Mário Veiga, especialista da Fundação Hemoam e coordenador da Comissão de Controle de qualidade e Fiscalização do hemocentro.
Ciclo do Sangue
O material é coletado em apenas uma bolsa que fica conectada a outras duas, conhecidas como satélites. O processamento começa após o sangue ter “repousado” por duas horas. Em centrífugas, as bolsas são organizadas, verificando-se equilíbrio do peso para correta separação. Esse processo é conhecido como fracionamento.
Na primeira etapa, o líquido se divide em duas partes, uma vermelha, chamada de concentrado de hemácias e outra amarela. Após a separação, a bolsa é submetida a uma extração e a parte amarela é conduzida para uma das bolsas satélites. Depois, esse material é submetido a uma segunda sequência de centrifugação, com velocidade diferente. Do processo de agitação, resultam concentrados de plasma e plaquetas, que são separados em diferentes bolsas.
“Essa divisão oferece ao serviço médico a opção de utilização de hemocomponentes para cada caso clínico. O sangue é utilizado, então, com finalidade terapêutica no tratamento de pacientes com diversos quadros, de câncer a queimaduras”, explica a enfermeira Janaína Sousa, gerente de Triagem de doadores e Coleta de Sangue.
Texto: Anne Caroline Almeida.
