Representantes de instituições ligadas à rede de Produtos e Dispositivos Eletrônicos (PDE) do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) articulam uma proposta para atuação na reciclagem de resíduos eletroeletrônicos junto às empresas do Polo Industrial de Manaus. O grupo, formado pelo assessor da Coordenação do Centro Geral de Serviços Tecnológicos da Fucapi, José Zanirato, pela pró-reitora de Inovação da Ufam, Socorro Chaves e pelo o coordenador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), de Campinas, José Rocha Andrade da Silva, apresentou a ideia na semana passada ao coordenador Geral de projetos Industriais da Suframa, José Lopo Filho.
Durante a reunião, o responsável do CTI, José Rocha, mostrou a experiência do programa Ambientronic, em Campinas, que visa contribuir para a integração dos vários agentes (indústrias, Governo, centros e universidades) no apoio à sustentabilidade do setor eletroeletrônico. Os pesquisadores discutiram esses e outros assuntos durante encontro que terminou na quarta-feira, 5, na sede Fucapi.
“Hoje boa parte dos resíduos desse tipo gerados pela indústria vão para o descarte final, que são os aterros sanitários. O projeto visa acabar com esse ciclo, promovendo a reciclagem e a reutilização dos materiais. Com essa nova política de resíduos sólidos, a indústria começa a se preocupar com a destinação desses resíduos. A gente vem atuando nessa área e vemos que há muito valor agregado nesses materiais que está sendo desperdiçado. E são substâncias perigosas, que contém metais pesados, que causam mal à saúde e por isso devem ser reciclados, diminuindo assim o descarte”, explicou.
O coordenador de projetos industriais da Suframa explicou que, embora não seja uma área de responsabilidade da autarquia, ela vem atuando no processo de gestão dos resíduos industriais do PIM, por meio de uma parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). “Temos um controle com o inventário dos resíduos gerados e das principais empresas de reciclagem para onde esses resíduos são enviados. Essa área ambiental não é competência da Suframa, mas entendemos a importância disso. É claro que o inventário é um primeiro passo. Mas estamos sim dispostos a contribuir dentro das nossas possibilidades para o sucesso desse projeto”, afirmou.
A ideia da rede é fazer parcerias com todos os atores envolvidos nesse processo, de maneira a propor soluções para o descarte dos resíduos eletroeletrônicos pela indústria. “A rede Ambientronic tem expertise nessa área, portanto, trouxemos eles como parceiros, pois essa é uma ação estratégica para a Fucapi e para nossa região. Como ainda não há uma lei que regulamente às atividades das empresas que atuam na cadeia de reciclagem, a ABNT através da comissão de estudos CE 03:111.01 – Normalização Ambiental para produtos e Sistemas Eletroeletrônicos, que está elaborando uma proposta de normatização, mas para isso há a necessidade de um trabalho de conscientização”, explicou o assessor do CGST da Fucapi, José Zanirato.
A pró-reitora da Ufam, Socorro Chaves, ressaltou a importância social do projeto. “Temos muitos estudos e trabalhamos com o sistema estadual de catadores. Eles podem ser inseridos, receber treinamentos e atuar dentro das normas de biossegurança. A ideia é contribuir também para o desenvolvimento social”, frisou.
Uma nova reunião entre o grupo está prevista para julho deste ano. A questão dos resíduos eletroeletrônicos da indústria também será discutida durante o Encontro das Redes Sibratec no Amazonas – Inovação e Serviços Tecnológicos, que acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de agosto, na Faculdade de Direito da Ufam e deve reunir mais de 600 pessoas.
O Sistema
O SIBRATEC- Sistema Brasileiro de Tecnologia foi instituído por meio do Decreto 6.259/07 com a finalidade de apoiar o desenvolvimento tecnológico do setor empresarial nacional. Ele apoia atividades de P&D voltadas para a inovação em produtos e processos, em consonância com as prioridades das políticas industrial, tecnológica e de comércio exterior. O objetivo final do SIBRATEC é aumentar a competitividade das empresas brasileiras.
Por Lucy Rodrigues
