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Lugares esquecidos em Manaus dão tônica a livro inédito de fotografias

Publicado em: 18/04/2017

Designer desenvolveu pesquisa no âmbito da Faculdade Fucapi

Amante da 8ª Arte, desde os 17 anos a designer Jussara Amorim tem o costume de tirar fotos de lugares, objetos e pessoas. A paixão foi a principal influência para desenvolver pesquisas sobre a temática de seu projeto final no curso de Design da Faculdade Fucapi, que foi voltado para fotografias sobre lugares que não são vistos ou são esquecidos pelas pessoas, resumindo-as ao tema “Manaus Invisível”. A pesquisa resultou num livro de fotografias que está concluído e pronto para produção por alguma editora que esteja interessada.

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Jussara com seu Trabalho de Conclusão de Curso. (Foto: Divulgação)

“Foi um tema que nunca saiu da minha cabeça, só não sabia como fazê-lo, pois existem muitas coisas invisíveis”, disse. A designer conta que no dia 15 de junho de 2015, após a faculdade, ela pegou um ônibus e desceu no terminal da matriz. Prontamente ela se deparou com o complexo “Booth Line”, que são casas uma ao lado da outra, localizadas próximas ao Porto de Manaus. Ela lembra que ficou extasiada com a beleza arquitetônica do prédio antigo, e prontamente quis saber mais sobre ele. “Fui até esse lugar e comecei a fazer perguntas para pessoas que estavam ali por perto. Para minha surpresa foram poucas respostas. Éramos eu e outras pessoas que vivem em tornos desses lugares sem saber o que são e o que foram”.

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Fotografia do livro “Manaus Invisível”. (Foto: Jussara Amorim)

Para construção da temática de seu TCC, e com a orientação da professora de Design da Fucapi, Neila Pinto, a estudante iniciou as pesquisas sobre o lugar, a história da criação, a quem pertencia o lugar e qual a finalidade dos prédios na Manaus de antigamente. Um ano desde a primeira vez que viu o lugar, a jovem já havia lido diversos livros, conversado com professores de história e historiadores, e visitado o lugar inúmeras vezes durante a mesma semana. “Passou a ser minha segunda casa”, enfatizou.

De acordo com a professora Neila Pinto, algumas questões foram levadas em consideração para a produção do trabalho da Jussara: encontrar o espaço da cidade que fosse “invisível”, aspectos da fotografia que são técnicos, mas que precisavam apresentar características de “invisibilidade” ao mesmo tempo em que se mantivesse interessante do ponto de vista do Design.

“Foi um trabalho desafiador, pois inicialmente só percebemos que seria um livro de memórias quando ela começou a fazer os relatos das pesquisas de campo. Isso fez diferença para o padrão visual e planejamento fotográfico delineado para a execução das fotografias. O caminho da produção técnica que culminou no projeto Manaus Invisível visou ressaltar as características da produção fotográfica com a editoração das fotografias que precisavam explicitar essa invisibilidade mas precisavam ter estética pensada para uma publicação”, contou a docente.

Foram durante as investigações que Jussara percebeu a falta de interesse dos próprios habitantes pela história de lugares relevantes em nossa cidade. Ela se atentou em conhecer não somente a história do “Booth Line”, mas também sobre as pessoas que moram no entorno desses lugares. “Na verdade, às vezes não precisava nem parar pra ouvir a história delas, mas apenas de sentar e observar. Isso é algo que não fazemos muito, principalmente em lugares que nunca conhecemos. Nunca vamos amar o que não conhecemos, muito menos valorizar”, afirmou.

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Fotografia do livro “Manaus Invisível”. (Foto: Jussara Amorim)

Experiência

Durante a pesquisa, Jussara aprendeu sobre o tempo certo das coisas. Por diversas vezes ela ia para os lugares de estudo (Praça Dom Pedro II e Porto de Manaus), e apenas observava tudo seu redor. Durante esta experiência, ela acabou passando por situações perigosas, tal quando certa vez um morador de rua a ameaçou com uma faca. “Saí dali, mas tive que voltar e fotografar. Pra isso tive o apoio da Companhia Comunitária Interativa (Cicom) do Centro, que disponibilizou uma viatura para me apoiar durante as fotografias que tirei”.

O processo foi desgastante para a jovem. A foto abaixo foi a última tirada por Jussara, no Porto da cidade. Ela conta que no fim da tarde daquele dia ela já estava exausta de todo o processo de pesquisas, momento quando observou um barco saindo.

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Última foto do livro de Jussara. (Foto: Jussara Amorim)

“Vi pessoas se despedindo de seus parentes, pessoas chegando e se alegrando. Eu estava ali, cansada, com o coração aflito por tudo que já tinha passado pra fazer todas as fotos, mas ao mesmo tempo, agradeci pela experiência. Olhei para um navio e vi um homem tocando saxofone como se fosse um louvor. Observei-o e conseguir retratar o momento em que levantou as mãos pro céu, agradeceu e partiu. Essa foi a última foto do livro, como se fosse um resumo de tudo que passei”, concluiu.

Vanessa Rocha – estagiária de Jornalismo
Cristiane Barbosa – edição
Agência Fucapi